sexta-feira, 19 de abril de 2013

Não gosto de me contar como saudosista ou nostálgica de tempos longínquos mas ao mesmo tempo sei que preciso do passado muito bem construído e absorvido dentro das minhas flutuantes emoções para que eu consiga, mesmo que dificilmente, me perscrutar vez em quando, me apreender e enfim, me reconhecer meio ao caos que é a minha estrada. Entendo quando leio algo sobre vida e momentos; comparações desse nível que às vezes me fazem bocejar mas que, como toda boa bobagem, tem fundos verídicos e quase incontestáveis (a depender do, voilá, momento). Porém não estou aqui a escrever para falar mal do que os outros dizem, pois os outros são muitos e os discursos e as ideias mudam o tempo todo. E quem é você para falar de nós ou de quem quer que seja (Os outros perguntam em tons variados e desconcertantes)? (Mesmo que isso não signifique nada, ou seja, tenho todo o direito de falar de quem eu bem entenda, desde que essa pessoa mereça ser lembrada, caso contrário, falemos do mundo e generalizemos a vontade pra que todos, assim que se situem, possam tomar e engolir suas dores em quietude - Essa seria a minha resposta ou A FUGA se eu realmente precisasse disso). Mas avançando: Não estou aqui para falar mal dos outros e sim para relembrar. Saudosista (nota: usar essa palavra dá calafrios na espinha e tumores no sistema límbico [embora eu não tenha claramente uma ideia formada de onde fica o sistema límbico, algo me diz que não seria legal ter tumores lá]) que sou, acordei melancólica por estar longe de pessoas que me são queridas e com rememorações quase que de minuto em minuto dos meus tempos de criança demasiadamente branca para os padrões da cidade, algo que, durante um certo tempo, serviu de desculpa para que me transtornassem (mas fora isso: saudades vida antiga). Costumava ser mais fácil e frugal viver nos meus tempos de escolinha. Costumava ser recompensador ouvir histórias dos meus pais já cansados de um dia cheio antes de dormir. Costumava ser prazeroso ter um irmão por perto para brigar e bater de vez em quando. Costumava ser difícil guardar coisas e perder e encontrá-las dentro de buracos no quintal. Costumava ser divertido ter cães, gatos, tartarugas e passarinhos convivendo no mesmo quintal. Enfim, costumava ser selvagem & banal ver casas com quintais (belíssima palavra, dizaê).

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