quarta-feira, 17 de abril de 2013

E aqui estou novamente tentando destrinchar (ler) Mário Ferreira dos Santos às 5h18 de uma manhã gélida e (por Deus!) silenciosa. Exteriormente tudo parece bem mas o intrínseco repousa inadequado. Também ouço Smiths, o que revela a minha capacidade quase que sobrenatural de nunca impressionar alguém. O fato é que sou uma pessoa das mesmas coisas - eu deveria grifar esse termo para poder elucidá-lo melhor depois, mas a preguiça de sempre fazê-lo me impede -, o que já explica todos os outros termos e (por que não?) o texto que está sendo escrito agora. Sim, este.

Não gostaria de parecer confusa ou de cansar as vistas de ninguém com repetições e ciclos infinitos, porém, como já havia dito, sou mais do mesmo. Prefiro o confortável, o seguro e o conhecido a desbravar campos alagadiços e inexplorados.

A cada dia ando mais empenhada em docilizar a Psicologia e isso está se sobressaindo pelas minhas pesquisas, pelos meus acessos e pedidos na biblioteca. Talvez seja coisa de momento e, como já sabemos, eles passarão (eu passarinho).

Gosto de pensar em situações finitas e creio ser oposta a maior parte das pessoas que conheço e que focam no eterno, no felizes para sempre, nas escolhas sepulcrais e lúgubres dentro de um escopo romantizado. As profissões, os cursos (dos rios) e os amores servem pra nos unir, enfim, é um elo entre o nosso eu excluso / isento e o mundo.

E agora pensemos: Se as nossas escolhas têm a função de nos ligar ao mundo isso nada mais é do que uma batalha de egos e trocas. Sim, é tudo uma questão de Eu não quero / posso ficar sozinho; Eu preciso de você; Eu não sei viver sem você (que fase, hein). Espero não precisar me ferir tanto.

E às vezes gosto de pensar que sou como os espíritos momentâneos e que vivo a vagar entre colinas que melodizam nostalgias ou que vivo dentro de um comercial de 1997 ou (ainda) que vivo a passear entre a efêmera linha do limbo romântico e a minha graciosa companheira razão (isso parece tão legal dentro da minha cabeça e tão bobo aqui fora).

Mas pra não ficar só na divagação cíclica, deixarei aqui a última parte de um poema que adoro de Roberto Piva, poema este que se encontra no livro Paranoia.

visão 1961

(...)

porres acabando lentamente nas alamedas de mendigos perdidos esperando
a sangria diurna de olhos fundos e neblina enrolada na voz
exaurida na distância
cus de granito destruídos com estardalhaço nos subúrbios demoníacos pelo
cometa sem fé meditando beatamente nos púlpitos agonizantes
minhas tristezas quilometradas pela sensível persiana semi-aberta da
Pureza Estagnada e gargarejo de amêndoas emocionante nas palavras
cruzadas no olhar
as névoas enganadoras das maravilhas consumidas sobre o arco-íris
de Orfeu amortalhado despejavam um milhão de crianças atrás das
portas sofrendo
nos espelhos meninas desarticuladas pelos mitos recém-nascidos vagabundeavam
acompanhadas pelas pombas a serem fuziladas pelo veneno
da noite no coração seco do amor solar
meu pequeno Dostoievski no último corrimão do ciclone de almofadas
furadas derrama sua cabeça e sua barba como um enxoval noturno
estende até o Mar
no exílio onde padeço angústia os muros invadem minha memória
atirada no Abismo e meus olhos meus manuscritos meus amores
pulam no Caos

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