quarta-feira, 17 de abril de 2013

em 97

em 97 eu arriscava desenhar meu nome
e árvores que pareciam frascos loucos de terras distantes
moradias de joões gigantes
ruas estradas tortas enfeitavam minhas gengivas

e salivaaaaaaavam algodão docinho


não lembro se enxergava bem ou sequer se enxergava algo além do muro no nosso quintal
que era sempre florido e frutificado disso eu me lembro bem
tinha 4 anos dali ao passado era um pulo no ontem
e minha mãe parecia mais viva
com seus olhos negros e pequenos

(miúdos)


papai tinha calças rasgadas nos joelhos e sempre
sempre sempre rasgava mais quando saía
caçava & comia
soluçava & bebia
praguejava & esquecia
mas nossa vida era tão ria! Sentávamos com as pernas cruzadas
pernas em cima de pernas e cheirávamos nossos olhos
os olhos dos nossos filhos; brincávamos de ser queimado pelos fogos
luciferianos, mentira nem sabíamos brincar com fogos

em 97 eu aprendi a ter medo dos raios e só amar as luzes
e a contar o tempo depois de 3 em 3 em 3 se faz um bolo
depois em sono depois em dia depois eu aprendi
a amar os meus pais e a minha família
assim como amo até hoje

em 97 não tínhamos gatos ou cachorros
mas criávamos passarinhos com nomes hollywoodianos

em 97 eu tinha um espírito chamado dom
e eu achava o meu irmão mais bonito que eu
(e assim se faz até hoje)

Em 97 eu tinha uma avó chamada Marina
E gostava da cor do cabelo dela,

que sempre me parecia igual,

apesar dos olhos terem virado cinzas


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