terça-feira, 14 de maio de 2013

ego

Quando tudo vira uma conexão entre o que eu gostaria de fazer e o que eu efetivamente faço, isso apenas vira referência para outra construção que vem me incomodando há tempos: a síndrome do eu - o ego boiando em egos (não me recordo muito bem da aula de Psicologia Forense em que a profª explicou as sutis diferenças entre o id, o ego e o superego, mas lembro-me de ter ficado encantada com as explicações e viajar na maionese durante quase o resto da aula inteira).

Sempre soube que o ego nada mais é do que o reflexo do que somos, lembramos, como agimos, enfim, o ego é o material líquido que comanda nossas emoções e pulsões exteriores e interiores, visto que é o alicerce que sustenta nossa personalidade, por fim, o eu. O Id já está mais para o lado hedônico, dos nossos prazeres [sexuais], estímulos e impulsos. E o superego é o mais fofo de todos. É o responsável pelas crises morais que enfrentamos, pelas nossas bases de construção, pelas nossas percepções de certo e errado etc!).

É uma doença chata que te persegue quando todos os outros assuntos (interessantes ou não) resolvem sumir. Logo, você se torna o assunto, mas isso não faz jus a textos, fica monotemático, inexpressivo, corriqueiro e chato de ser sempre descrito. As experiências externas precisam comparecer constantemente para que os seus olhos não se habituem mal.

Às vezes, mesmo que isso destrua todas as barreiras do clichê, observar uma árvore, um canto de um pássaro, um baloiçar de belos cabelos que passam levados por igualmente belas e longilíneas pernas de pêlos dourados é mais instigante e legível que falar do mal funcionamento das suas faculdades mentais ou da falta de equilíbrios em que seus hormônios se encontram.

Prezar pelo indescritível e tentar guardar o visto (mesmo que com algumas falhas por conta das tenebrosas e conhecidas lacunas mentais) em papéis e gastar um pouquinho os dedos na tentativa de que algo bonito dali ressoe é (e sem temer em soar repetitiva) mil vezes mais exultante que escrever com que aspecto sua pele está ou qual será a sua próxima cor de esmalte.


Estou aprendendo tudo isso aos poucos. A delicadeza e a beleza que se esconde em se deliciar com o simples e dar a merecida importância ao importante.

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