sábado, 8 de junho de 2013

«Nunca ninguém conseguiu livrar-se do Tempo.»
Sei disso. Mas quando o lemos no Mahabharata, sabemos para sempre.

No aborrecimento vulgar, não temos vontade de nada, nem sequer a curiosidade de chorar; no excesso de aborrecimento, é completamente ao contrário, pois este excesso incita à acção, e chorar é uma acção.

Todo projecto é uma forma camuflada de escravatura.

NESTE MOMENTO ESTOU SÓ. QUE POSSO DESEJAR DE MELHOR? NÃO EXISTE FELICIDADE MAIS INTENSA. SIM, A DE SENTIR, À FORÇA DE SILÊNCIO, A MINHA SOLIDÃO CRESCER.

O momento capital do drama histórico está fora do nosso alcance. Não somos senão os anunciadores, as trompetas de um Julgamento sem Juiz. 

A morte é um estado de perfeição, o único ao alcance de um mortal.

A morte, que desonra! Devir subitamente objecto...

Pesadelos falhados, pesadelos que se arrastam e prolongam, à falta de novas catástrofes. Acordar em sobressalto por falta de interesse!

A obsessão do último a propósito de tudo, o último como categoria, como forma constituinte do espírito, como deformidade original, até como revelação...

Toda a concessão que fazemos é acompanhada por uma diminuição interior de que não nos damos conta logo no momento.

A este amigo que me diz que se aborrece porque não pode trabalhar, respondo que o aborrecimento é um estado superior, e é um rebaixamento relacioná-lo com a ideia de trabalho.

No enterro de C. dizia a mim mesmo: «Eis, enfim, alguém que não teve um único inimigo.» — Não que ele tenha sido medíocre, mas ignorava a embriaguez de magoar a um ponto inaudito. 

No Zoo. — Todas estas bestas têm um aspecto decente, excepto os macacos. Sentimos que o homem não anda longe.

E. M. Cioran, Esboços de vertigem

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